Foi preciso Ela
morrer para eu deixar de temer a morte.
Hoje, vi, senti e
compreendi a Senhora Morte. Chamo-lhe “Senhora”, porque a achei bela, serena,
tranquila e dona de uma dignidade única.
Não é escura nem
feia como dizem, não é medonha como a caracterizam, não é má como a pronunciam…
O seu silêncio diz
tanto! O seu mistério é encantador, deslumbrante até!
O corpo que os
meus olhos avistaram e que foi “povoado” pela Senhora Morte, não me disse nada,
mas o que existia e se fazia sentir em seu redor disse-me as coisas mais belas
que já alguma vez ouvi.
Conheci finalmente o verdadeiro sentido da palavra
recordação, amor, e saudade. Encontrei o valor da eternidade, da compaixão e da
misericórdia.
Por estranho que
pareça o seu corpo gelado aqueceu a minha alma, as minhas mãos e os meus
lábios.
Hoje, sinto-a mais
próxima de mim, sinto que me acompanha em todos os passos, atos e pensamentos.
Tanto me falou da
morte e eu nunca a compreendi e por coincidência ou não, foi Ela que ma mostrou
e que ma fez entender tão bem!
Hoje vejo a
Senhora Morte com outros olhos, e mais uma vez aprendi, que, nunca se deve
fazer juízos de valor sem termos o conhecimento primeiro.
Foi um prazer
conhece-la, Senhora Morte! Um dia, quando estiver diante de si certamente lhe
sorrirei!
Em memória da
minha avó Aninhas…
Inês Massano | 18 de Março de 2011

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