sexta-feira, 28 de junho de 2013

A Senhora Morte




Foi preciso Ela morrer para eu deixar de temer a morte.
Hoje, vi, senti e compreendi a Senhora Morte. Chamo-lhe “Senhora”, porque a achei bela, serena, tranquila e dona de uma dignidade única.
Não é escura nem feia como dizem, não é medonha como a caracterizam, não é má como a pronunciam…
O seu silêncio diz tanto! O seu mistério é encantador, deslumbrante até!
O corpo que os meus olhos avistaram e que foi “povoado” pela Senhora Morte, não me disse nada, mas o que existia e se fazia sentir em seu redor disse-me as coisas mais belas que já alguma vez ouvi.
Conheci  finalmente o verdadeiro sentido da palavra recordação, amor, e saudade. Encontrei o valor da eternidade, da compaixão e da misericórdia.
Por estranho que pareça o seu corpo gelado aqueceu a minha alma, as minhas mãos e os meus lábios.
Hoje, sinto-a mais próxima de mim, sinto que me acompanha em todos os passos, atos e pensamentos.
Tanto me falou da morte e eu nunca a compreendi e por coincidência ou não, foi Ela que ma mostrou e que ma fez entender tão bem!
Hoje vejo a Senhora Morte com outros olhos, e mais uma vez aprendi, que, nunca se deve fazer juízos de valor sem termos o conhecimento primeiro.
Foi um prazer conhece-la, Senhora Morte! Um dia, quando estiver diante de si certamente lhe sorrirei!

Em memória da minha avó Aninhas…

Inês Massano | 18 de Março de 2011

Sem comentários: